domingo, 12 de setembro de 2010

E continua o Serendipity

Este Serendipity é mesmo um Serendipity.



Dêem uma olhada no http://www.debondan.wordpress.com/ e olhem o que aconteceu com ele.



Eu já estou munida de para não deixar passar mais nada.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

SERENDIPITY












Esta palavra, que eu amo, e tinha pensado em batizar o blog, não poderia encontrar momento melhor para aparecer.

Quando decidi fazer este blog não sabia onde me levaria esta viagem: um Sótão - lugar para guardar e encontrar emoções, lembranças, fotos, aquilo que nos faz bem. Um Porão - para guardar o que nos faz mal e que queremos banir de vez das nossas vidas ou o que precisamos “domar”, como aquelas macacas ou aquelas ervas daninhas que resolvem nos acompanhar em determinados momentos da nossa vida.

E eis que de repente: Serendipity!


Escrevo sobre um vestido.
Várias pessoas escrevem também.
Reencontro num outro momento uma amiga, que também tem um blog e que escreve a partir de um post do meu que foi enviado por uma terceira amiga e corrigido por uma quarta.


Isto é Serendipity: fazer uma coisa e encontrar outra.




A partir destes acontecimentos totalmente aleatórios novas relações são criadas, antigas relações são revividas, o que era desconhecido ganha luz, as distâncias antes enormes se encurtam, as vidas até então totalmente diferentes passam a ter tanto em comum que a partir deste momento não é mais possível ser como antes.

Todos estes acasos só podem ser percebidos e vividos por mentes abertas, por olhos sem máscaras, e por corações e almas prontos para viverem emoções inesperadas.

Percebem que fazem parte de um grande bordado, feito ponto a ponto, com aquele capricho que não se consegue distinguir o avesso do direito porque o carinho pede capricho, não pode ser de qualquer jeito.




Tal como “Os Três Príncipes de Serendip”, a história que deu origem a esta palavra, lá vão elas pelo mundo, prontas para descobrirem, ao acaso ou não, respostas e perguntas que chegarão por acaso, ou não.

Para sempre estarão mudadas.





terça-feira, 7 de setembro de 2010



Grandes surpresas acontecem aqui neste Sótão e Porão e as mais agradáveis são aquelas que juntam quem estava há muito separado.

Encontrar amiga de infância não tem preço.

Amiga querida, de férias passadas juntas onde na falta do que fazer, e as férias eram assim mesmo, não fazer nada; fundamos um “clubinho” para nos divertimos nas tarde de verão, onde as manhãs eram ocupadas com a praia.

Nas férias nos mudávamos de mala e cuia da casa da cidade para a casa da praia. Ficavam a 20 km uma da outra, mas a mudança era completa, naquela época dizia-se: “Vamos veranear”. Hoje em dia soa tão fora de moda quanto dizer que fulano e fulano estão de paquera. Nem as crianças mais podem se dar o luxo de passar 2 ou 3 meses por ano sem fazer nada, precisam fazer algo nas férias, cursos, acampamentos, viagens exaustivas. Não se concebe ficar no ócio.

Mas voltando a minha amiga e ao nosso clubinho, chamava-se Clube Juvenil, e nossa marca era uma raquete de tênis desenhada por meu pai.

Éramos uns 10, entre meninos e meninas de diversas idades. O que fazíamos? Trocávamos gibis, nos encontrávamos para ler juntos, ouvir música, jogar frescobol na frente de casa, fazer passeios de bicicleta cada vez mais longe de casa. A cada ano ganhávamos permissão para ir mais longe.

No meio disto, umas “paqueras”, umas amigas que faziam fofoca, brigas com irmãos, um mini mundo, uma escolinha de relações sociais, onde aprendemos a conviver e juramos nunca nos separarmos.

Perdemos o clubinho quando ganhamos o mundo.

Mas nada igual àquele instante que nos re-encontramos e disparamos a conversar como se os 30 anos fossem 30 horas.

Tudo isto para apresentar a vocês minha querida amiga Denise que passados todos estes anos nos encontramos pessoalmente e virtualmente.

O nosso clubinho nos deu régua e compasso para fazermos blogs, e vamos nos encontrar de novo em mais um clubinho, desta vez de leitura.

Vou deixar para vocês a surpresa de ir ao blog da Denise
www.debondan.wordpress.com e se deliciarem com o último post. Mas não parem nele, pois o arquivo dela é para ler com a alma.

As traças estão meio desorientadas numa mistura de férias com vida nova, mas foram buscar na estante “Clássico dos Clássicos” um texto maravilhoso de linhas e agulhas:


– Um Apólogo de Machado de Assis.

Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:
— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma cousa neste mundo?
— Deixe-me, senhora.
— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.
— Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.
— Mas você é orgulhosa.
— Decerto que sou.
— Mas por quê?
— É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?
— Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu e muito eu?
— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...
— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando...
— Também os batedores vão adiante do imperador.
— Você é imperador?
— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...
Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:
— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima...
A linha não respondia; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte. Continuou ainda nessa e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.
Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava de um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha para mofar da agulha, perguntou-lhe:
— Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá.
Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha:
— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.
Contei esta história a um professor, que me disse, abanando a cabeça:
— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!



quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Às margens do Rio Guayba

Suzy Altmayer manda para o nosso sótão mais um vestido: "Lembrança de um conto passado de mãe pra filha sobre um vestido que não teve a mesma sorte destes aí".


Era um vestido especial, daqueles de ir à missa aos domingos, muitas fitas e rococós como se usava nos anos 30.
Bem cedo era um vem de cá e vai pra lá, a casa se preparava para a missa dominical.

Maria era a primeira a ser arrumada, penteadas suas tranças, vestido engomado, esperava pelos adultos.
Na véspera sua avó tinha começado a lhe ensinar a bordar. Riscara uma florzinha num paninho algodãozinho simples, a menina estava encantada e queria terminar logo esta flor. Não estava com paciência de missa, tinha tanto que aprender. Sua avó e sua mãe, nas tardes compridas às margens do Rio Guayba, trocavam riscos e linhas, também queria bordar com elas.
Enquanto esperava lhe chamarem, sentou-se ao pé do abacateiro em frente ao avarandado com seu bastidor tentando seguir o traço, quando sentiu algo cair dentro do vestido.
Era um bichinho: formiga, joaninha? Uma aranha? Que medo! Fez um apertadinho do bichinho no vestido e zupt... meteu a tesoura livrando-se do inoportuno visitante. Mas, e agora? Lá ficou um buraco no vestido.
Sua mãe, mulher severa, não achou nenhuma graça; e para castigo de Maria o pedacinho foi costurado ali outra vez... Um remendo feio no meio de tanta boniteza!
Maria junto com os pontos do bordado também aprendeu que a tesoura era só para cortar a linha.



Lembrança de um fato contado-me por Lourdes Maria, aquela que anos depois me fez o vestido xadrezinho.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

O Vestido e a Transformação



Num comentário sobre o vestido da Narizinho, uma querida amiga, Alison, falou sobre um vestido descrito em um livro que fazia parte de suas lembranças.

Sabe como é, falou em livro, saímos todos, traças, cupins, ratos, atrás dele. Não dava para ficar só na vontade.

Ainda bem que existe uma coisa chamada Estante Virtual, e, em alguns dias e por míseros R$ 10,00 chegava aquele pacote no sótão. Livro velho, como gostamos.

O livro, Pássaros Feridos de Colleen McCullogh, numa edição de 1979 da DIFEL, tinha somente umas 700 páginas e depois de muita troca de e-mails para achar o trecho, eis que ele aparece na página 167. E nestas conversas Alison me conta:
“talvez não tenha sido só o vestido, mas a transformação da personagem é que me fazem lembrar dele”.

Estas transformações que atribuímos a objetos, pessoas, ou situações, são como o fim do inverno e o início da primavera - que começa por uma graminha verde que nem notamos e de repente nos surpreende com uma explosão de cor e de vida – há muito já está sendo preparada.

Deixo para vocês os comentários e a leitura do livro, pois, o movimento no Sótão está grande, estão chegando viagens, casas habitadas, professores, e muito mais.

O texto:


“Mas foi para Meggie que todos os olharam por mais tempo.

Recordando-se talvez da própria infância e despeitada porque todas as outras jovens convidadas tinham encomendado seus vestidos em Sidney, a costureira Gilly fizera com o coração o vestido de Meggie. Um vestido sem mangas, decotado; a princípio, Fee se mostrara em dúvida, mas diante das súplicas de Meggie e, tendo-lhe assegurado a costureira que todas as moças estariam usando a mesma espécie de coisa – quereria ela que a filha fosse chamada de caipira e mal vestida? Fee acabara cedendo. De crepe georgette, levemente cinturado, o vestido tinha uma faixa do mesmo tecido em torno das cadeiras. Era de um cinzento tirante à palha, cor-de-rosa pálido, da cor que davam, naquele tempo, o nome de cinzas de rosas; entre ambas, a costureira e Meggie haviam bordado todo ele com minúsculos e róseos botões de rosa”.

Já está guardado numa bela caixa envolto em papel de seda azul e um laço rosa.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Meu Vestido Xadrezinho


O texto do Vestido da Narizinho está mexendo em cada sótão maravilhoso.

Minha querida amiga Suzy me mandou este "Vestido Xadrezinho".

Procurei nas fotos e papéis do sótão alguma coisa para ilustrar o texto, mas pensei: - "Por mais que eu procure nunca será igual ao dela."

Achei este molde antigo para publicar mas me pergunto: "Este vestido foi mesmo feito de tecido e a partir de um molde de papel?"

Deixo para vocês a resposta, se é que tem.





Um vestido simples? Ou simplesmente um vestido?!!
Era tão lindo!
Para meus seis anos? Ou seria menos? Também não sei, não importa.
Ainda hoje não consigo defini-lo, mas o dia lembro bem.
Naquele dia não tive muito a atenção da minha mãe. Muito atarefada entre tesouras, moldes, linhas, alinhavos, botões, máquina de costura. Não percebia o que sairia dali. Era um dia qualquer.
Reclamei um pouco, mas meus afazeres me chamavam: dar comida às bonecas, dar banho, botá-las para dormir e subir em árvores com meus irmãos.
Ao me colocar para dormir, minha mãe compensou toda a falta de atenção que eu reclamei contando minha história preferida: Cinderela; mas antes da parte do vestido, cansada, adormeci.
No dia seguinte ao acordar, me esperava nas costas do sofá da sala um lindo vestido: de chita, xadrezinho azul e branco, bem passado e engomadinho. Ao lado dele minha bonequinha vestia um igualzinho.
Nunca esqueci esta surpresa e carinho que só mãe sabe dar.
Não consigo definir se foi simplesmente um vestido.
Guardo nele a grande alegria de uma simples criança que ainda mora aqui dentro.


Suzy, embalada pelas histórias da carochinha dentro de um sótão cheio de aranhas doces.
Ithaca 18/08/2010

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Perigo no Porão - A Inveja

Preciso ir ao porão.

Quero encontrar pistas de quem foi lá e deixou escapar uma criatura poderosa.

Falo da Inveja!

Traças e Cupins comeram o armário que a tinha trancado? Como sou boba! Não percebi então que o armário de madeira era frágil e não iria segurá-la por muito tempo?

Então fui eu mesma?!?!?

De tempos em tempos examinei detalhadamente a madeira para procurar pozinho de cupim, sinal de madeira podre, verificando ainda se a porta estava trancada para me assegurar que desta vez seria diferente. A vigilância severa me colocaria a salvo: sabia onde ela estava e durante muito tempo fiquei de guarda.

Até que achei que isto estava me tomando muito tempo e energia. Encostei o armário no fundo e espacei o controle.

Não sei se na última arrumação não percebi o perigo ou não avaliei bem aquele pozinho no chão, prova concreta de um buraquinho na madeira, o fato é que ela escapuliu e me pegou.

Mas foi rápido.
Percebi logo quem era e não precisei gastar muita energia – tranquei-a num armário de ferro que tinha chegado lá a pedido de uma amiga muito, muito querida que não tinha onde colocá-lo.

Às vezes os amigos são assim, uns seres estranhos.

Pedem umas coisas sem sentido, nos dão coisas que parecem tralhas inúteis, nos levam ao porão quando precisamos, ou vão conosco quando não temos coragem de irmos sozinhos, e mais estranhos ainda: fazem isto quando poderiam desfrutar só do Sótão.

Ainda bem que o armário estava lá!